A vida Imortal de Henrietta Lacks – Rebecca Skloot

Glóbulos de tumores brancos acinzentados […] enchiam o cadáver. Parecia que o interior do corpo estava coberto de pérolas”. Datado de outubro de 1951, o relatório da autópsia de Henrietta Lacks parece antecipar a estranha vida vivida pela paciente após sua morte. O cultivo das células do raro câncer cervical que a matara, já espalhadas por todo o seu corpo, seria fundamental para o desenvolvimento das pesquisas que renderam bilhões à indústria farmacêutica e de biotecnologia. Extraída ainda nos estágios iniciais da doença, uma amostra de seu tumor havia surpreendido os profissionais responsáveis pela pesquisa de tecidos no Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, onde ela se tratava. Ao contrário de todas as tentativas anteriores, em que as células morriam pouco depois de retiradas do corpo do doador, a linhagem HeLa (batizada com as iniciais da paciente) multiplicava-se com impressionante rapidez quando mantida num meio de cultura adequado, tornando-se virtualmente “imortal”. Ainda que retiradas sem o consentimento de Henrietta ou de sua família, as células fascinaram os cientistas de tal modo que logo começaram a ser distribuídas – e comercializadas – para instituições de pesquisa públicas e privadas de todo o mundo. Desde então, numerosas descobertas científicas – entre as quais os mecanismos da reprodução celular, o desenvolvimento de tratamentos do câncer, as vacinas contra a poliomielite e HPV – têm se baseado na excepcionalidade da linhagem HeLa.
Reconstituída com amorosa minúcia por Rebecca Skloot, a biografia de Henrietta Lacks, negra, pobre e quase sem instrução, compõe uma emocionante homenagem à posteridade de uma das mais importantes e enigmáticas personagens da história da ciência. A autora demonstra como as células de Henrietta possibilitaram avanços revolucionários da medicina sem que seus empobrecidos descendentes sequer tivessem conhecimento do que acontecia.

Em a Vida Imortal de Henrietta Lacks a autora conta a vida da mulher por trás da foto. Henrietta Lacks, no auge de seus quase trinta anos, teve câncer de colo de útero, nessa época, “pessoas de cor” eram tratadas de forma diferenciada nos hospitais americanos, e Henrietta não foi diferente. O livro conta a história das células coletadas do tumor de Henrietta, e que mesmo muitos anos após a sua morte, essas células ainda continuam vivas. A autora conta a história de Henrietta, a mãe, esposa, e prima, e conta também a história de suas células, como depois que Henrietta morre, os médicos injetavam essas células cancerígenas em pacientes também com câncer, mas muitos deles não sabiam que estavam injetando essas células neles. Paralelamente, a autora vai contando a história dos filhos de Henrietta.

Vou tentar ir escrevendo a medida que estou lendo, pois é um livro um pouco denso, mas não deixa de ser bom, mas apenas confuso em alguns momentos. Na época em que Henrietta faleceu no Hospital Johns Hopkins, surgiu o boato que o hospital havia sido construído na região para que a noite os médicos raptassem “pessoas de cor”, como eram chamados no hospital os negros. Duas décadas depois que Henrietta faleceu, alguns médicos entraram em contato com a família para que esses fizessem exames para verificar se os filhos “tinham o câncer que a mãe teve”, pelo menos foi isso que a família acreditou.

Uma história de brancos vendendo negros, de culturas negras “contaminando” as brancas com uma única célula, numa época em que pessoas com uma “única gota” de sangue negro apenas recentemente haviam adquirido o direito legal de se casar com brancos. Era também a história de uma mulher negra não identificada que se transformaram em um dos instrumentos mais importantes da medicina, uma notícia bombástica.

Mais de 30 anos após a morte de Henrietta, um virologista Alemão Harald zur Hausen descobriu o HPV, e descobriu como o HPV causa o câncer, e essas descobertas ajudaram a criar a vacina anti-HPV, e valeu a Hausen um prêmio Nobel. O livro é muito bom mesmo! Realmente me surpreendeu, tanto a leitura, pois não me imaginei lendo esse livro, como o conteúdo, que é muito interessante. Minha nota para esse livro foi 8,5. Vale a pena!

Dados técnicos:

I.S.B.N.: 9788535918151

456 páginas

Editora: Cia das Letras

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Sobre alinedal

Sou uma pessoa que adora livros, e que adora escrever também, então decidi juntar essas duas paixões. Vou escrever aqui sobre os livros que li até hoje, e a minha opinião sobre o assunto. Espero que vocês leitores(as) também façam suas sugestões. Então é isso ai!!
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2 respostas para A vida Imortal de Henrietta Lacks – Rebecca Skloot

  1. Mi Müller disse:

    Ei Aline! Estou louca para ler este livro, adorei tua resenha 😉
    estrelinhas coloridas…

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